6 de agosto de 2008

Old N. 7

Aparentemente a coisa vai ficar assim mesmo. ‘Cabou a cervejinha, ‘cabou o cigarrinho, quase acaba o cafezinho. Lácteos pesados já eram há muito tempo. Ácidos e/ou cítricos só com muita, mas muita parcimônia. Carne vermelha, a tão idolatrada carne vermelha malpassada e hemorrágica de ruminante mugidor agora é iguaria bissexta.

Não, não vá pensando que eu agora abracei a causa da qualidade de vida, que ergo ao sol o lábaro da hipersaúde (numa época tão pouco saudável). Nada disso. É que fui obrigado mesmo a ter mais saúde, sabe como é. Já falei antes de uma severa complicação gástrica. É por causa dela que essas atitudes higiênicas foram tomadas.

Aqui estou, novamente, escrevendo sobre qualidade de vida. Sou especialista no assunto. Especialistas só precisam entender do que falam, entender da coisa no plano lingüístico, teórico, imagético. Simplesmente entender. Quem tem qualidade de vida mesmo a estaria curtindo neste exato minuto, não escrevendo. Enfim, aplica-se o que Kenneth Tynan falou dos críticos, que eles (críticos, especialistas) “sabem o caminho, mas não sabem dirigir”.

Bem, sobre qualidade de vida, minha especialidade, repito agora o axioma da minha, da sua, da nossa filosofia: qualidade de vida não existe sem vícios. Vícios, na verdade, são o que viabilizam o processo de enriquecimento pessoal (adoro essas expressões de RH!). Viabilizam ou por negação ou por afirmação. Explico: fulano é alcólatra; um dia, se não for tarde demais, ele vai perceber que não tem qualidade de vida, até porque não tem vida alguma; o vício o levou à desgraça, a consciência do vício (somente ela, ninguém mais) o alertou de que “fulano, tu tá fudido, precisa arrumar qualidade de vida”. Esse é o exemplo da negação, da falta de. Já o exemplo oposto, o da afirmação, é sem graça. Escolha aí qualquer pessoa saudável e pronto. Eles sempre querem mais e mais qualidade, mais, sempre mais.


O que há em comum entre uma coisa e outra? Isso! Exatamente! O vício. (Como eu sou redundante...)

Tive de elidir alguns vícios da minha vida. Os motivos, de acordo com o ICD, ou CID: K25, K27, K29 e, às vezes, K30. Nem deveria, inclusive, estar aqui à frente do computador por tanto tempo, por causa da H16. Muitos vícios foram embora, no mínimo temporariamente. Mas é necessário ter vícios. Isso é o que fundamenta minha Weltanschauung*.

Pesquisei por um bom tempo, tipos uns três dias, quais novos vícios entrariam na minha vida. O primeiro foi ele, o grande, o inexcedível, insuperável Old N. 7, Jack Daniels. Moderadamente, claro está.

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* Essa palavra me dá cócegas nas bochechas.

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