13 de maio de 2009

Simenon

© Bettmann/CORBIS

É raro ver um europeu se reconhecer como periférico no Velho Mundo com tanta honestidade. 

(...) Roger Stephane perguntou a Simenon sobre esses anos de guerra [a partir de 1914], e ele respondeu que tinham lhe proporcionado alguns dos dias mais felizes de sua vida. Lembra a "perfeita felicidade" das tardes passadas lendo, fumando e comendo, às vezes tudo ao mesmo tempo. É verdade que a comida era uma espécie de bolo caseiro, que ele próprio fazia com sua ração de pão, e mel artificial, o cachimbo alimentado com "tabaco de guerra", feito de uma mistura de bolota e folhas de carvalho, mas os livros pelo menos eram da mais alta qualidade. O entrevistador perguntou-lhe se era tudo que tinha a dizer da ocupação da Bélgica, se não se sentira humilhado pela presença de soldados alemães em Liège, e Simenon, visivelmente irritado com essa pieguice convencional, respondeu truculento que a Bélgica sempre estava ocupada por um ou outro exército, que a ocupação era a única história belga.

O homem que não era Maigret - A vida de Georges Simenon, de Patrick Marnham, p. 51.

(Companhia das Letras, 1993, tradução de Marcos Santarrita, capa de João Batista da Costa Aguiar. Edição esgotada e ausente até no próprio site da editora. Quase um livro fantasma. Seria um caso para Maigret?)

Nenhum comentário: