3 de março de 2010

p. 228

As palavras não podem corporificar; elas só podem descrever. Mas uma certa espécie de artista, que distinguiremos dos outros como um poeta mais que um prosador, despreza esse fato a respeito das palavras ou de seu meio de trabalho, e continuamente leva as palavras o mais próximo que pode de uma ilusão de corporificação. Ao fazê-lo ele aceita uma falsidade, mas faz, de alguma maneira pelo menos, arte melhor. Parece muito possivelmente verdade que a superioridade da arte sobre a ciência e sobre todas as outras formas de atividade humana, e sua inferioridade em relação a elas, resida no fato idêntico de que a arte aceita as barganhas mais perigosas e impossíveis e faz o melhor que pode delas, tornando-se, como resultado disso, simultaneamente mais próxima da verdade e mais distante dela do que as coisas que, como a ciência e a arte científica, meramente descrevem, e as coisas que, como seres humanos e sua criação e todo o estado da natureza, meramente são, a verdade.


Elogiemos os homens ilustres, de James Agee & Walker Evans (fotos).

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