11 de abril de 2010

p. 211

Fazer o poema da consciência humana, fosse embora a propósito de um só homem ou do mais miserável dos homens, seria o mesmo que fundir todas as epopéias numa epopéia superior e definitiva. A consciência é o caos das quimeras, das ambições e das tentações; a fornalha dos sonhos, o antro das idéias de que temos vergonha; é o pandemônio dos sofismas, o campo de batalha das paixões. Experimentem, em certas horas, penetrar através da face lívida de um ser humano que reflete, olha no seu íntimo, observar sua alma e examinar essa escuridão. Ali, sob o aparente silêncio, há combates de gigantes como em Homero, batalhas de dragões e hidras e nuvens de fantasmas como em Milton, visões de espirais como em Dante. Que coisa mais sombria é esse infinito que todo homem leva em si mesmo, pelo qual desesperadamente mede os desejos do seu cérebro e as ações da sua vida!


Os Miseráveis, de Victor Hugo.

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