2 de abril de 2010

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A Srta. Baptistine era alta, pálida, delicada, agradável; era realmente o que indica a palavra "respeitável", pois me parece que uma mulher para se tornar venerável precisa ser mãe. Nunca foi bonita; toda sua vida, que não foi senão uma sequência de boas obras, envolveu-a numa espécie de brancura, de claridade, e, com os anos, ganhou o que poderíamos chamar de beleza da bondade. O que era magreza em sua juventude tornou-se transparência, diafaneidade que deixa entrever um anjo. Era mais que uma virgem, era uma alma. Parecia feita de sombras: o mínimo de corpo para que ali houvesse um sexo; um pouco de matéria envolvendo uma luz; grandes olhos sempre modestos; um pretexto, enfim, para que uma alma permanecesse na terra.

Os Miseráveis, de Victor Hugo.

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