13 de novembro de 2010

Ich bin ein paraíba

Dois mil anos atrás, o maior motivo de orgulho era dizer Civis Romanus sum. Hoje, no mundo dos iguais, motivo de orgulho é dizer Ich bin ein paraíba.

Há muitas pessoas que, de fato, não entendem – ou dizem que não entendem – qual é o principal problema entre o mundo dos iguais e o mundo separatista. Venham para o Nordeste.

Há quem diga que o separatismo é a onda do futuro. Venha para o Nordeste.

E há quem diga, no Sudeste e noutros lugares, “nós podemos cooperar com os separatistas”.

E há alguns, inclusive, que dizem que o separatismo é nocivo, mas ele permite o crescimento econômico.

A liberdade tem muitos senões e a democracia não é perfeita. Mas nunca tivemos de erguer um muro para conter pessoas, para evitar que nos invadisse.

Quero dizer, em nome dos meus conterrâneos que vivem quilômetros acima, que vivem tão distantes de vocês, lá, além do Velho Chico, quero dizer que eles têm o maior orgulho em poder compartilhar com vocês, mesmo à distância, a história dos últimos oito anos.

Não conheço outra região que tenha sido hostilizada por tanto tempo e que, ainda assim, viva com tanta vitalidade, força, esperança e determinação como o Nordeste.

Enquanto a hostilidade é a mais óbvia e vívida demonstração do separatismo, todos podem ver que não compactuamos com isso, porque, como bem o sabe todo paraíba, além de uma ofensa à história brasileira, o separatismo é uma ofensa à dignidade humana, separa famílias, desune casais, afasta irmãos e divide um povo que o que mais quer é estar unido.

O que é verdade para o Nordeste é verdade para o Brasil. O respeito duradouro no Brasil jamais será garantido se ao nordestino for negado o fundamental direito dos homens livres, que é o da livre escolha.

Nos últimos oito anos, a esta nação de paraíbas foi conferida dignidade, assim como o direito de unir suas famílias e seus amigos em paz.

Vocês, sudestinos, vivem numa ilha de liberdade onde suas vidas são soberanas. Então deixe-me lhes perguntar, para abrir-lhes os olhos, além dos perigos de hoje, às esperanças de amanhã. Além da liberdade da Região Sul, à liberdade em favor de todo o país. Além da linha separatista, à paz da justiça. Além de sudestinos e nordestinos, a todos os brasileiros.

Respeito é indivisível, mas quem é respeitado quando um único ser humano é hostilizado? Quando todos forem respeitados, então poderemos esperar pelo dia em que este povo estará unido e este país, pacificado.

Quando este dia chegar, e ele chegará, o povo do Nordeste poderá reconhecer, com sensata satisfação, que esteve na vanguarda por quase uma década.

Todos os homens livres, onde quer que estejam, são cidadãos do Nordeste. E, portanto, como um homem livre, eu tenho orgulho de dizer: Ich bin ein paraíba.


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Nota do blogueiro
John Kennedy, no dia 11 de junho de 1963, proferiu o famoso discurso Ich bin ein Berliner, “Eu sou um berlinense”. Ele visitava Berlin Ocidental. Este discurso histórico tocou a todos os berlinenses (e a todos os alemães), que então viviam sob o separatismo imposto pela Cortina de Ferro. Ich bin ein Berliner, traduzido e algo modificado, é apropriado ao clima xenófobo e separatista que pairou sobre os brasileiros ao fim das eleições de 2010. Mesmo pernambucano, Ich bin ein paraíba.

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