10 de novembro de 2011

Shogun Spot Club

Publiquei primeiro no MMA Brasil.

Hoje os assuntos são outros. A expectativa do UFC 129, que terá duas disputas de cinturão e o possível adeus da lenda Randy Couture. Os burburinhos provocados pelo TUF 13 e especulação em torno do TUF 14. A polêmica do doping praticado por Thiago Silva. A primeira disputa de cinturão do Strikeforce depois que a Zuffa o adquiriu. Enfim, os assuntos já são outros, o UFC 128 é passado. Um passado de péssimas lembranças para os torcedores, como eu. Porque, nesta coluna, não falo como articulista do esporte, mas como torcedor brasileiro.

Ao contrário do que acontece com todos os eventos do UFC, desde o dia em que foi televisionada, 19 de março de 2011, eu não revi a edição 128. É preciso rever as lutas detalhadamente para escrever a respeito. Mas aquela edição, até agora, eu não revi. Falta de disposição, confesso. Por um motivo muito simples: torço por Maurício “Shogun” Rua. Não tenho coragem de assistir à perda do cinturão para Jon Jones. Mesmo Jones sendo brilhante e sinalizando o futuro, o próximo passo do esporte, não revi a luta para, tentando por Shogun de lado, elogiar e ratificar seu mérito. Ele tem mérito, e eu o ratifico, estou fazendo isso aqui, mas não quero assistir àquela luta para isso, entende? O único lutador brasileiro sobre quem me declaro incapacitado de (tentar) escrever imparcialmente é Maurício Shogun.

Aquilo tudo fui muito chocante. Eu, como todo bom torcedor, tinha outras expectativas quanto ao resultado final. Nunca achei que seria fácil, tampouco achei que Jones fosse favoritíssimo. Seria uma luta difícil, para ambos. Era o que eu esperava. Mas depois de três minutos de luta só um cego não enxergaria o que estava acontecendo. Um cego, literalmente; não me refiro à cegueira do torcedor fanático. A partir do segundo round, iniciei minha contagem regressiva. Perdoem a pusilanimidade, mas confesso que queria que a luta acabasse o mais rápido possível para que Shogun saísse com a integridade física em níveis razoáveis o suficiente para retornar o mais rápido possível ao Octógono™. Lutar fora de forma contra Mark Coleman é uma coisa, mas contra um Jon Jones é outra. É quase um suicídio.

Mesmo assim, honrando toda sua história e justificando o porquê de haver tantos torcedores como eu mundo afora, Shogun foi guerreiro e seguiu o quanto pôde.

Agora, o atual campeão meio-pesado do UFC é um jovem de 23 anos que, especula-se, pode ser a maior estrela do esporte na próxima década e um dos melhores da história do MMA. Não é de maneira alguma uma especulação infundada. Eu mesmo concordo com ela. Concordo porque ele há pouco venceu o melhor nesta categoria. O melhor meio-pesado da história. Se os rumores que o mundo irá se acabar em 2012 forem verdadeiros, esta é uma mensagem que os sobreviventes (se houver) terão que propagar e passar às gerações futuras: “Meu filho, o melhor meio-pesado na história do MMA foi um lutador chamado Maurício ‘Shogun’ Rua. Corra, semeie a palavra.”

Mas ainda bem que rumores são rumores, e o mundo ainda vai ver muitas edições do UFC.

Podemos estar vivendo um divisor de águas, a passagem da coroa. Toda especulação em torno do futuro de Jon Jones reflete o legado de Shogun: o que se espera no futuro de um, já é um fato comprovado na história do outro. A coroa pode estar passando de uma lenda a outra. Mas eu, como todo torcedor, não dou por nem minimizada nem por encerrada a relevância de Shogun para o esporte.

O UFC 128 foi uma derrota, assumimos. O atual campeão é bom, reconhecemos. Mas já estamos preparando bandeiras e vuvuzelas. Estamos organizando a torcida. Em breve, nós, os torcedores do Shogun Sport Club, gritaremos novamente: “É CAMPEÃO!”

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