19 de agosto de 2013

nota_176

Elogio da beleza atlética, de Hans Ulrich Gumbrecht, foi um livro que me acompanhou por muito tempo. O livro consegue somar a apreciação do esporte à arte do ensaio. Há alguns dias, porém, eu o vi deixando minha biblioteca para acumular poeira num sebo. Exceto por um capítulo, que é muito, muito triste, o livro é lindo. É um ensaio que recomendo a todos que gostam de esportes, de ler sobre esportes, de escrever e, principalmente, de escrever sobre esportes. Contudo, havia um porém em mantê-lo comigo, um porém que não sobreviveu à falta de espaço nas estantes. Gumbrecht não disponibilizou notas às citações. Foi uma decisão autoral, não editorial. O próprio autor menciona isto no último capítulo. Gumbrecht cita Niklas Luhmann, uma citação que me assombrou por muito tempo. Por muito tempo eu quis achá-la nos próprios escritos de Luhmann, mas era uma tarefa que exigiria muito tempo e energia. Era como se o livro fosse um lembrete àquela procura por Luhmann. Como já não precisava mais de um para me lembrar do outro, passei Gumbrecht adiante. Quanto à citação, feita sem aspas, ela dizia, resumidamente, que forma é a maneira como um fenômeno acontece, de tal forma que ele nunca, jamais poderia acontecer de outra forma e que aquela forma é a maneira pela qual ele teria de acontecer de qualquer forma. Fenômenos como aquele gol de falta do Roberto Carlos sobre a França, em 1997, ou o chute frontal do Anderson Silva sobre o Vitor Belfort, eram o tipo de evento extraordinário a que Gumbrecht se referia. Eventos extraordinários, momentos geniais do esporte. Creio que procurarei as palavras de Luhmann no futuro.

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Elogio da beleza atlética, de Hans Ulrich Gumbrecht (tradução de Fernanda Ravagnani), Companhia das Letras. (Linda capa de Angelo Venosa.)

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