23 de agosto de 2013

nota_178

Eu li pouco sobre o período batizado como lulismo, embora tenha vivido na pele e lido a respeito na imprensa. Sei que há por aí os livros do André Singer e do Merval Pereira sobre o assunto, um período já peculiar na nossa História. Ambos os livros são compostos por artigos que os autores publicaram na mídia, os do Merval uma coletânea, os do Singer um ensaio, composto por alguns artigos reescritos a partir da publicação original de um deles. (Estas informações sobre ambos os volumes podem checadas nos sites de suas respectivas editoras.) Por questão de refinamento intelectual, acredito que o livro do Singer seja melhor. Basta comparar a produção do Merval, no blog dele, com o artigo do Singer que deu origem ao livro. Mas para não ficar fazendo julgamentos presunçosos sobre livros que não li, indico um recentemente lido. Lulismo, Carisma Pop e Cultura Anticrítica, de Tales Ab'Sáber. Soube deste ensaio pela revista piauí, numa resenha de Mario Sergio Conti. A resenha era convidativa, e o livro, um ensaio muito mais penetrante do que imaginava. Eu não vou resenhar o livro aqui, se quiser resenha, leia a do Conti. Mas recomendo a própria leitura do Ab'Sáber. O que eu vou dizer aqui, no meu espaço de, aproximadamente, trezentas palavras, é que o livro do Ab'Sáber me assustou, de tão bom. É um ensaio curto, rápido, mas denso o suficiente para ser um escrito marcante sobre o período. Um trecho (itálicos originais do autor):
Max Weber insiste no elemento antigo do carisma puro, no qual "em sua subestrutura econômica, como em tudo o mais, o domínio carismático é o oposto mesmo do domínio burocrático". De fato, o lance significativo, o golpe de espírito e a delícia do carisma, como diziam os antigos franceses, ou o seu gozo, como dizem os mais modernos, está no ponto mesmo em que o gesto do líder parece escapar, em grande parte, em uma prestidigitação pessoal e racional. Lula concentrou este tipo de idioma carismático na lógica identificatória do habitus de classe com os pobres, e no simplório teatro imaginário e ilusório, esquizoparanoide, o seu teatrinho de fantoches de luta de classes, que não enganava ninguém, da luta entre o seu povo brasileiro e as elites deste país
Uau.

PS: Enquanto em voga (durante o mandato), o carisma de Lula era inigualável. No futuro, e não precisa ser daqui a muito tempo, gostaria de ler um ensaio-balança que contrapesasse o status daquele carisma portentoso antes e depois dos atuais protestos.

--
Lulismo, Carisma Pop e Cultura Anticrítica, de Tales Ab'Sáber, Hedra.

Nenhum comentário: