3 de setembro de 2013

nota_179

Há um livro lindo, eu o recomendo a todos. A lebre com olhos de âmbar, de Edmund de Waal. Eu poderia resumi-lo, dizendo a você que se trata da história de uma coleção de netsuquês, aquelas pequenas esculturas japonesas, do tamanho de uma ameixa, feitas de madeira, laca, chifre de rinoceronte, dente de hipopótamo, etc. A história de uma coleção bicentenária de netsuquês, este poderia ser o resumo. Mas, mesmo que lhe despertasse o interesse, seria um resumo equivocado (e improvável de causar interesse). É a história de uma coleção, sim; mas também é a história de um tipo de arte, e é a história de uma família, e é a história de uma época, e é a história das guerras mundiais, e são as histórias das várias pessoas que se envolveram com aquela coleção. Tudo isto narrado com primor. O autor é ele mesmo ceramista. Cada sentença, cada parágrafo parecem ter sido esculpidos com a mesma dedicação, detalhismo e elegância dos netsuquês da narrativa. Elegância, este é o traço mais marcante do livro. Mesmo tendo a oportunidade de ler em inglês, a tradução de Alexandre Barbosa é uma das mais lindas que já li, principalmente, ou exclusivamente, por ter trazido para o português a elegância do texto original. Eu li este livro há alguns anos, mas ele está sempre em minhas releituras habituais. A história do livro é linda, cheia de riquezas culturais, mas o que me atraiu para esta leitura foi exatamente como a história é contada. Muitos livros em minha biblioteca foram escolhidos por este critério. Como contar vale mais do que o que contar. No caso do de Waal, A lebre com olhos de âmbar vale pelo que conta e pela maneira como conta. Ótima leitura.

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A lebre com olhos de âmbar, de Edmund de Waal (tradução de Alexandre Barbosa), Intrínseca.

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