14 de setembro de 2013

nota_180

Enrique Vila-Matas. Eu li o Bartleby e companhia já há um bom tempo, gostei do livro. Gostei mais ainda do livro, um belo projeto gráfico, comum a todos os livros dele publicados pela CosacNaify. É um dos trabalhos da dupla Claudia Warrak e Raul Loureiro que mais aprecio. Aprecio a ponto de ter comprado a obra do Vila-Matas por tesão às capas, veja você. Depois de Bartleby, foram lidos A viagem vertical, Suicídios Exemplares, O mal de Montano, Paris não tem fim e História abreviada da literatura portátil. Nenhum deles à altura de suas capas. História abrevida é chato. É bonitinho, mas é chato. Exceto por Ar de Dylan e Dublinesca, tive nas estantes os demais livros do Vila-Matas lançados no Brasil – só para conferir se valem as capas que têm. Restou apenas um, Doutor Pasavento. Ainda tenho esperanças com este livro, e vez ou outra eu o folheio, ansioso, esperando que haja nele uma boa leitura. Tenho esperanças com o Vila-Matas, ao contrário de Paul Auster, dois autores que são sempre comparados um ao outro, por eles mesmos e por leitores no Brasil e Atlântico afora. (Neste caso, estou fazendo uma comparação de esperanças de leitura.) Perdi minhas esperanças com Auster depois de "apenas" três livros. O livro das ilusões, Invisível e Leviathan. Fiquei com a impressão de que se eu embaralhasse os capítulos destes três livros, transformando-os num livro maior, a narrativa deste quarto livro não teria nada de estranho, seguiria o padrão previsível do Auster de mudanças insólitas. A gente sabe que mudança X vai acontecer, digamos, a mudança de narrador, e sabe que esta mudança vai acontecer mais de uma vez, e sabe que o narrador, ou protagonista, finge ser quem não é, e sabe que o narrador, ou protagonista, foge de uma tragédia, e sabe que esta tragédia foi fruto do acaso, e sabe tudo o mais. (O mal de Montano, do Vila-Matas, segue por aí, que eu me lembre.) Eu não teria coragem de dizer que Auster é ruim. É uma questão de gênero, ou química (acredito nela). Não há química entre mim e Auster. Assim como não tem havido química entre Vila-Matas e eu. Doutor Pasavento é a última esperança. 

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