10 de outubro de 2013

nota_182

Eu li este artigo na Stanford Magazine, "Mind Over Misery", escrito por Robert L. Strauss. É sobre uma "nova" técnica terapêutica para curar a depressões e afins, desenvolvida por David D. Burns, um psiquiatra que ficou famoso nos anos 80 com o livro Feeling Good, até hoje best-seller nos Estados Unidos. A técnica é simples: mude sua maneira de pensar, pense positivo, a cura é consequência disto. Usei aspas em nova porque a gente já leu referências ao poder do pensamento desde a Grécia Antiga, para ficar só no Ocidente. Mas o que Burns faz, e o faz dentro da Universidade de Stanford, na Califórnia, é dar respaldo rigorosamente científico e atual a esta variante socrática da cura pela palavra:
What David Burns wants is for patients with depression to rediscover confidence and dignity and joy and delight. To get there, he says, psychiatry must begin using the type of rigorous, data-driven analysis common in the natural sciences. Therapists need to forget that they are supposed to be disciples of this or that school and apply what has been proven and known to work. He wants to give people suffering from depression the tools to right their boats long before capsize becomes imminent. And for medications to be used only when they are truly called for, not to correct what were once considered normal fluctuations in the ebb and flow of human emotions.

O artigo é muito bom. Há cenas do método sendo aplicado e o próprio autor faz uma imersão numa das sessões. Mas eu acho curiosa uma coisa: é como se a ciência houvesse chegado atrasada ao que já propagavam Phineas Parkhurst Quimby, Orison Swett Marden, a escola do New Thought e toda a geração de ouro da literatura norte-americana de autoajuda. "Pense positivo."

Uma observação: na autoajuda, gênero literário tipicamente norte-americano, a ênfase não é exatamente ter saúde mental e física, mas ficar bem e ser feliz por conseguir a riqueza financeira. Este traço é o que a distingue do movimento New Thought. E é um dos vários que a distingue da ciência, claro.

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Esta nota inaugura um novo marcador aqui no blog, o marcador "longreads", que é para links de leituras disponíveis na web. Cf. nota_181.

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