12 de outubro de 2013

nota_183

Tem este filme aqui, Drive. Eu já o vi algumas vezes e não consigo achar um errinho sequer nele. Claro, não é uma obra-prima, um Kubrick ou um David Lean, mas é um filme perfeito em sua própria dimensão. Um desfile de potencialidades, um luxo estilístico, uma impecável performance de 100 minutos. Eu não saberia apontar uma cena predileta. Gosto da cena do motel, em que a cabeça da linda Christina Hendricks é explodida com um balaço, e sangue rebenta por todo o banheiro. Gosto da cena inicial, que dá o tom tenso do filme. Gosto da cena do elevador, que é uma mistura de afetação fotográfica, amor cortês e sanguinolência psicopata. Gosto de todas as cenas.

Me vem à mente agora esta cena: Ryan Gosling fazendo o criminoso Cook engolir a seco uma bala, enquanto o ameaça com uma martelada, desta vez na cabeça (as primeiras foram na mão). A cena é toda testemunhada por um plantel de strippers nuas. Eles estão numa boate, no camarim onde as meninas se preparam para o show. Ryan Gosling desce uma escada, uma piriguete está mexendo no celular, eles têm uma troca de palavras afetadíssima. Ela aponta o camarim para Gosling, onde está Cook, ele entra no camarim e de imediato martela a mão de Cook mais de uma vez. Algumas strippers correm, outras, só de calcinha, emprestam sua presença à cena, mudas, atentas. Gosling, cujo personagem não tem nome, ameaça cravar a bala na testa de Cook, cravá-la a marteladas. Depois ele o faz engoli-la. O carpete é vermelho, as cortinhas que cobrem as paredes, atrás dos espelhos iluminados, são vermelhas. É tudo saturado, todo filme é assim. Cores, luzes, ângulos, hemorragias. Mas não a câmera, sempre estática. É um filme incrível.

A trilha sonora do filme é atraente. É cult, hipster, irônica: anos 80 revisitados. Uma das melhores músicas é esta, "Nightcall", de Kavinsky, DJ francês. Vocais da brasileira Lovefoxx.

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