13 de outubro de 2013

nota_184

Recebi este artigo do @vicescudero, chamado “How the light gets out”, escrito por Michael Graziano, professor de Neurociência na Universidade de Princeton. Graziano publicou seu livro há pouco tempo, Consciousness and the Social Brain, ainda sem qualquer previsão de ser publicado por aqui enquanto escrevo esta nota. Ambos livro e artigo são sobre isto que chamamos de consciência. Graziano nos apareceu com esta nova teoria para explicar a consciência, a “teoria do esquema de atenção”.

Resumidamente, segundo esta teoria, consciência seria: o modelo esquemático do próprio estado de atenção de uma pessoa. A afirmação é simples, mas não sei se é possível entender a teoria só com ela, você teria de ler o artigo, que recomendo fortemente. De qualquer forma, alguns trechos farão você entender melhor. Este, sobre atenção:
Attention requires control. In the modern study of robotics there is something called control theory, and it teaches us that, if a machine such as a brain is to control something, it helps to have an internal model of that thing.
[Atenção exige controle. Nos estudos atuais sobre robótica, há uma coisa chamada teoria do controle, que nos ensina que se uma máquina, como o cérebro, deve controlar algo, ela ter um modelo interno deste algo é uma ajuda.] 
Graziano desenvolve o pensamento:
If you are attending to an apple, a decent model of that state would require representations of yourself, the apple, and the complicated process of attention that links the two. An internal model of attention therefore collates data from many separate domains. In so doing, it unlocks enormous potential for integrating information, for seeing larger patterns, and even for understanding the relationship between oneself and the outside world.
[Se você presta atenção a uma maçã, um modelo decente deste estado [de atenção] demandaria representações de você, da maçã e do complicado processo de atenção que liga um ao outro. Portanto, um modelo interno de atenção confronta dados de contextos distintos. Fazendo isso, o modelo permite um potencial enorme de integração de informações, de enxergar padrões mais extensos e mesmo de entender a relação entre si mesmo e o mundo externo.]
O autor chega então a este pensamento, que eu achei um pouco perturbador. É sobre a tal “experiência subjetiva”, o que faz de você, você:
Subjective experience, in the theory, is something like a myth that the brain tells itself. The brain insists that it has subjective experience because, when it accesses its inner data, it finds that information.
[Em teoria, experiência subjetiva é algo como um mito que o cérebro narra para si mesmo. O cérebro insiste que tem experiência subjetiva porque, quando ele acessa seus dados internos, ele encontra esta informação.]
Consciência seria apenas um modelo de atenção. Presto atenção a esta lata de Coca-Cola ao lado do teclado, tenho este dado. Atento para o gato Mordecai dormindo no meu colo, tenho este dado. Atento para atenção dada ao gato e à lata e às sentenças que escrevi sobre eles, tenho este outro dado. Consciência seria “uma parte do [nosso] sistema operatório de controle”. A coisa mais legal da neurociência, e da ciência em geral, é este niilismo.

Eu precisaria voltar aos livros do Steven Pinker para saber o que há de novidade nesta teoria.  

Um comentário:

Kleiton Gonçalves disse...

Vi parar aqui pesquisando acerca da pesquisa de Ian Kershaw sobre Hitler. Gostei do blog. Gostaria de seguir, mas não encontrei a guia para isso.

Abraços,

Kleiton
kleitongoncalves.blogspot.com.br