26 de outubro de 2013

nota_186

Você não tem como ficar imune a Billie Holiday cantando "Strange Fruit". Eu, particularmente, não fico imune a nada dela, mas esta música em especial é... sinistra. Ainda mais sinistro é a história da música. Esta história está em Strange Fruit - Billie Holiday e a biografia de uma canção, de David Margolick. O livro é um peça incrível de jornalismo e micro-história, que parece ser a especialidade de Margolick. Ele escreveu outro livro que parece muito interessante, A Elizabeth and Hazel: Two Women of Little Rock, sobre a histórica foto, esta aqui, tirada em 1957, da recepção que alunos negros receberam de brancos na escola de ensino médio de Little Rock, Arkansas. O grupo de negros ficou conhecido como "Little Rock Nine". Se não me engano, este livro foi resenhado pela revista piauí há alguns meses. Eu não o li, mas gostei da ideia: a história por trás de uma foto.

É a mesma ideia deste Strange Fruit, a mesma que me seduziu para lê-lo. A história por trás de uma música. A cena jazz do Café Society, onde "Strange Fruit" foi cantada por Billie pela primeira vez, os personagens envolvidos na concepção da música e na recepção da performance, a cruel cultura racista norte-americana, os efeitos hipnóticos e sinistros que a canção causa e a narrativa biográfica de Holiday. É um um universo de muito sangue e sofrimento, o solo do qual a canção brotou.

Se você gosta de leituras do tipo "chute no estômago", leia.

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Strange Fruit - Billie Holiday e a biografia de uma canção, de David Margolick (tradução de José Rubens Siqueira). CosacNaify.

PS: Sobre a vida de Billie Holiday, o perfil dela que Ruy Castro escreveu em Saudades do Século XX continua sendo o melhor que conheço. Mas aceito indicações.

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