29 de outubro de 2013

p. 162

Quando se vai ao fundo de um animismo, encontra-se sempre um calorismo. O que reconheço de vivo, de imediatamente vivo, é o que reconheço como quente. O calor é a prova por excelência da riqueza e da permanência substanciais; por si só oferece um sentido imediato à intensidade vital, à intensidade de ser. Comparadas à intensidade do fogo íntimo, como as outras intensidades sensíveis são frouxas, inertes, estáticas, sem destino! Não são crescimentos reais. Não mantêm sua promessa. Não se ativam numa chama e numa luz que simbolizam a transcendência. 

A Psicanálise do Fogo, p. 162, de Gaston Bachelard (tradução de Paulo Neves), Martins Fontes.

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