17 de dezembro de 2013

nota_193

Eu fiquei sem palavras. Duas vezes, e na segunda vez eu não só fiquei sem palavras como fiquei boquiaberto. Sabe, eu estou falando de Eike Batista. A primeira vez em que eu fiquei sem palavras foi quando li esta notícia interessante no Extra, do dia 7 de dezembro de 2013:
O empresário Eike Batista surpreendeu os funcionários de uma lanchonete, na Lagoa, ao aparecer para um lanche rápido. Foi na última quarta-feira quando ele chegou sozinho e devorou ali mesmo no balcão um hambúrguer, um suco de laranja e uma porção de batatas-fritas. Eike, que tem visto seus bilhões voarem, pagou em dinheiro a conta que não chegou nem a R$ 20.
Nenhum segurança foi visto acompanhando o empresário. Ele desceu do carro sozinho e foi embora da mesma maneira. A lanchonete, localizada num posto de gasolina, fica cerca de 2 quilômetros da mansão em que vive.


A tal foto é esta:


Fiquei chocado com a notícia. Sem palavras, como disse. Havia um homem, de pele branca e cabelo falso, que esteve na lista dos homens mais ricos do planeta Terra, e este homem era brasileiro. O mesmo homem foi fotografado, digamos, na sarjeta, e não havia tanto tempo assim dividindo a vida da opulência da vida da sarjeta. Eu não conseguia processar o evento. Então compartilhei a notícia com um Clube de Sábios, porque eu queria uma explicação, uma iluminação. E ela veio, com a seguinte mensagem:
Há uma escola estética do Brasil nessa foto que é de uma originalidade incomparável. Só o homem mais rico de nosso país é capaz de ser fotografado comendo numa pocilga como o Bob's, logo depois de perder toda sua fortuna, sem deixar transparecer um milímetro de vergonha. É uma espécie de Mona Lisa da canastrice. Um espelho da nossa sociedade de Gregorios Duviviers com pretensões de Shakespeare. O celular de dois chips com blutufi, câmera de três megapixels e sem flash é a tinta perfeita para preencher de ruído uma tela tão representativa. Nós não entendemos como funciona o mundo, desta forma, todo esse chuvisco representa a nossa dificuldade de entrar em sintonia com a realidade. Eike não compreende a dimensão das consequências de seus atos. Não sabe que os desejos do homem comum são inadequados para quem observa o mundo do trono. Estas qualidades são inconciliáveis, como se um Presidente da República prometesse consertar a Educação, mas dissesse abertamente que ler é uma idiotice. Nós, brasileiros, não entendemos o mundo, mas queremos consertá-lo a cabeçadas, tapas e pontapés.
Essa foto precisa ser exposta num museu.
É isso. 

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