9 de fevereiro de 2014

nota_198

Aprendizado é um assunto que interessa a este bloco de notas, daí eu ter topado com um artigo muito interessante, escrito por Joshua Davis e publicado na revista Wired. O texto se chama "How a Radical New Teaching Method Could Unleash a Generation of Geniuses" ("Como um radical novo método de ensino poderá libertar uma geração de gênios"). Davis é colaborador da Wired e editor de uma pequena revista digital muito bacana de jornalismo #longreads, chamada Epic.

O método sobre o qual fala o artigo é o implantando numa escolazinha de Matamoros pelo professor local, Sergio Juárez Correa. Correa inspirou-se no educador indiano Sugata Mitra, que você pode ver nesta simpática TEDTalk. Ele defende o autodidatismo digital. Tanto Correa quanto Mitra obtiveram resultados incríveis com o incentivo ao autodidatismo. "Aprendizado acontece quando há interesse", diz Mitra na TEDTalk, e, como sabemos, interesse e curiosidade andam juntos e são endógenos.

Não posso falar muito do artigo de Davis porque não quero adiantar spoilers de uma história interessante que ele narra. Mas vou colar e traduzir aqui alguns trechos:

In the late 1990s and throughout the 2000s, Mitra conducted experiments in which he gave children in India access to computers. Without any instruction, they were able to teach themselves a surprising variety of things, from DNA replication to English.
[No fim dos anos 90 e no início dos anos 2000, Mitra conduziu experimentos nos quais dava computadores com acesso à internet a crianças na Índia. Sem qualquer instrução, elas eram capazes de ensinar umas às outras um surpreendente leque de coisas, de reprodução de DNA à língua inglesa.]

Os vídeos dessas crianças usando o computador nas ruas de Nova Deli são muito legais. Um parte ruim de mim não me deixou em paz e me obrigou a pensar que aqueles mesmos computadores instalados em paredes seriam quase que instantaneamente vandalizados no Brasil.

Juárez Correa didn’t know it yet, but he had happened on an emerging educational philosophy, one that applies the logic of the digital age to the classroom. That logic is inexorable: Access to a world of infinite information has changed how we communicate, process information, and think. Decentralized systems have proven to be more productive and agile than rigid, top-down ones. Innovation, creativity, and independent thinking are increasingly crucial to the global economy. 
[Juarez Correa ainda não sabia, mas ele havia topado com uma recente filosofia educacional, uma que aplica a lógica da era digital à sala de aula. Esta lógica é inexorável: o acesso a um mundo de informações infinitas mudou a maneira como nos comunicamos, como processamos informações e como pensamos. Sistemas descentralizados nos têm provado ser mais produtivos e ágeis que os rígidos e verticais. Inovação, criatividade e pensamento independente são cada vez mais cruciais à economia global.]

Este recente digestivo do Digestivo Cultural se encaixa bem ao fim deste trecho.

That’s why a new breed of educators, inspired by everything from the Internet to evolutionary psychology, neuroscience, and AI, are inventing radical new ways for children to learn, grow, and thrive. To them, knowledge isn’t a commodity that’s delivered from teacher to student but something that emerges from the students’ own curiosity-fueled exploration. Teachers provide prompts, not answers, and then they step aside so students can teach themselves and one another. They are creating ways for children to discover their passion—and uncovering a generation of geniuses in the process.
[É por isto que uma nova geração de educadores, inspirada em tudo, de internet a psicologia evolutiva, neurociência e inteligência artificial, está inventando novas maneiras de fazer crianças aprenderem, crescerem e prosperarem. Para estes educadores, conhecimento não é uma commodity para ser passada do professor para a criança, mas uma coisa que surge da exploração, alimentada pela curiosidade, da própria criança. Professores dão estimulantes, não respostas, e então eles deixam os alunos por si mesmos, para aprenderem e ensinarem uns aos outros. Eles estão criando maneiras de as crianças descobrirem a paixão delas -- e revelando uma geração de gênios no processo.]

Esta "geração de gênios" tem a ver com as narrativas do artigo, com alguns personagens reais.

Um trecho disperso que acho importante colocar aqui, dito por um neurocientista consultado para o artigo, que é um dos fundamentos para o aprendizado sadio: "If you’re not the one who’s controlling your learning, you’re not going to learn as well.”

Se não é você quem está controlando seu aprendizado, você não vai aprender tão bem assim.

Exatamente. 

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