29 de setembro de 2015

nota_204: Tero Takalo IV

Os diários de Tero Takalo continuam aparecendo. Só posso republicar aqui os trechos verificados. Este eu mesmo verifiquei, é do segundo período brasiliense. Takalo era um diarista polimorfo. Às vezes épico, às vezes conciso, às vezes reticente. Neste trecho, um tanto sentimental, filosófico e rocambolesco (especulo que esta passagem tenha sido escrita sob o efeito da maconha):

As coisas mais importantes da vida são as mais óbvias. Tanta gente se dedicou à ciência, a maneiras novas de ver e fazer o mundo, para tornar a vida melhor. Tanta gente se dedicou à arte, a formas novas de sentir e recriar o mundo, para tornar a vida mais... real. Tanta gente se dedicou à lei, a meios de fazer com que a convivência entre humanos fosse justa. Tantos de nós trabalhamos muito para no final descobrirmos que é o óbvio que queríamos desde o início. Agora que vejo a água tremulando à minha frente, o reflexo da lua, o tr...[ilegível]. Ahbez* estava certo. O maior aprendizado, amar e ser amado de volta. É tão óbvio. Sim, é óbvio, mas ao contrário do que pensava, a segunda parte, aprender a ser amado, parece mais difícil. Envolve aceitar nossas próprias falhas, nossos defeitos. Daí nos perguntamos como é possível alguém amar essas coisas que tentamos esconder de nós mesmos. E esta pergunta é como um mergulho no espelho, que não traz a sabedoria simétrica de estar no outro lado e ver a partir do outro lado, porque é tão fácil aceitar os defeitos do outro quando o amamos, mas não é fácil aceitar os próprios defeitos quando o outro nos ama. Sim, é o maior aprendizado mesmo, porque amar e ser amado de volta é uma relação em que o amor-próprio acaba sendo menor que o amor ao outro. É tudo tão estranho, tão óbvio. 

O Ahbez mencionado por Takalo é Eden Ahbez (1908 - 1995), autor da canção "Nature Boy", primeiro cantada por Nat King Cole, em 1948. É aquela do "The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return". 


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