29 de outubro de 2015

nota_205: Tero Takalo V

Por toda a web, nas últimas duas semanas, a hashtag #takalogate se tornou onipresente. Quilos de papel, dentro de um baú, foram descobertos em Porto União, Santa Catarina. Os papéis são diários de Tero Takalo, que cobrem a viagem à Odessa, na Ucrânia, até a época da monodiáspora. Um longo período redescoberto, sobretudo quanto ao paradeiro de Takalo em seus anos incógnito. Quanto ao baú, uma relíquia polonesa vinda de Radymno, Malwina Bator é a dona. Ainda estamos sopesando o que é mais chocante, os papéis no baú ou as palavras de Malwina.

Ela conheceu Takalo. Embora polonesa, Malwina esteve com Takalo pela primeira vez em Odessa. Estaria com ele novamente em Lviv, oitocentos quilômetros e mais de uma décadas depois. Também o acompanhou por Paudalho, Brasília, Paris, Sevilha, Lviv e Brasília de novo (tudo isso incógnita, por quê?). Ainda mais espantoso, Malwina esteve com Takalo por todos os anos não conhecidos da monodiáspora. Bem, não conhecidos até então.

O baú da Malwina caiu pesando toneladas sobre todos nós, fãs e admiradores (e detratores) de Takalo. Tanto quanto suas revelações. Ela mesma também é uma diarista prolífica, pelo que disse na entrevista que concedeu ao jornal Corifeu do Iguaçu. Disse que publicará seus próprios escritos da maneira como Takalo gostaria que fizesse: Malwina pretende transcrever tudo e disponibilizar todo o material gratuitamente na internet. Disse que o professor Arturo Miro Albuquerque, da Universidade Federativa Aymoré, um dos mais prestigiados estudiosos da obra takalina, estaria disposto a assessorá-la na tarefa da transcrição dos seus diários. Disse que o mesmo professor terá a custódia dos papéis de Takalo, também com a condição de que os publicasse online. Disse ter vindo ao Brasil para conhecer o filho de Takalo e que não pretende morrer antes de conseguir. 

É muita coisa ao mesmo tempo. Takalo não teve filhos, que o mundo tenha sabido. Ele nunca quis seus diários publicados, tanto que os queimou antes de morrer. Por que ela diz que Takalo gostaria de vê-los publicados? 

Agora há dois baús, dois diaristas, um conflito de versões e todo um universo takalino a ser descoberto. 

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