2 de fevereiro de 2016

nota_211: O ano de 1992

Deixar de gostar de metal é impossível. Lá atrás, era “música de adolescente”, havia uma impressão de que ela sumiria um dia da vida da pessoa quando se atingisse a maturidade. Bem, a pessoa a atingiu, com socos e flechadas, e a música permaneceu. O rock e toda a sua prole, em algum momento, receberam o epíteto de “música de adolescente”, um retrato do preconceito que acomete novidades musicais. Veja você, o Show No Mercy, álbum de estreia do Slayer, já tem mais de trinta anos e é contemporâneo de outro álbum, de outra banda importante: Kill’Em All, do Metallica, 1983. O próprio metal deixou de ser adolescente. Mas a adolescência é imortal, e tudo começou lá, no inesquecível ano de 1992.

Foi o ano em que o incrível Burzum do estúpido Varg Vikernes lançou seu primeiro álbum. Foi um ano inesquecível para o death/black metal também por outro motivo: foi quando eu comecei a gostar de música. Deste tipo de música. Meus apetites musicais, ainda bem, não têm limites. Prefiro artistas a gêneros, tendo sido assim há décadas. A caminho de casa, neste iPod ao lado do teclado, cantavam para mim 50 Cent, Múm, Laura Marling, Napalm Death, Rob Zombie. Mas já não posso mais esconder que há gêneros prediletos: jazz, clássica, metal e Massive Attack, que merece um gênero para si só, sob o próprio nome, visto ser a melhor coisa que a música já inventou depois de Bach.

Ainda sobre 1992, foi também o ano em que as realezas da morte lançaram álbuns marcantes: Legion, do Deicide, The End Complete, do Obituary, o inigualável Utopia Banished, do Napalm Death e o clássico Tomb of the Mutilated, do Cannibal Corpse.

Este quatro álbuns destas quatro bandas são a trilha sonora de todo um ano de descobertas, que jamais cessariam. O que começou lá atrás com o Obituary, a primeiríssima banda death que ouvi, continuaria depois com todas as outras vertentes do metal, do trash do Pantera ao black melódico da cidade de Gotemburgo, e chegaria aos dias de hoje em ainda em contato com os tradicionais Napalm Death e Cradle of Filth e com os recentes e globalizados Mgla, Liturgy e Downfall of Nur.

O ano de 1992 jamais acabará.

Um comentário:

Bruno Lima disse...

Grande amigo Guilherme, lembro muito bem desse tempo em que íamos na Armorial gravar umas fitas e voltávamos com um tesouro em nossas mãos. Ótimas lembranças.
Grande abraço!